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Aniversário de Carmo do Cajuru

Carmo do Cajuru foi criada por Lei Estadual, N° 336, de 27 de Dezembro de 1948, localizada em um planalto, próximo ao Rio Pará (Dic. Geog. do Brasil, 1893), se destaca como polo Moveleiro e com atividades diversas, como: comércio, agricultura, agropecuária e outros.
Na origem etimológica da palavra Cajuru, a influência indígena, cujo significado é “Boca da Mata”, realçando as matas que integravam antigas paisagens do Rio Pará e dos ribeiros aqui existentes. Hoje as matas escassearam e urge cuidar para manter e recompor o pouco que ainda resta. Há na historia dessa cidade a lenda dos irmãos Cajuru, enriquecendo o nome da Cidade que celebra sessenta e nove anos.
A Cidade de Carmo do Cajuru, como o nome deixa entrever, congrega a forte tradição religiosa dedicada a Nossa Senhora do Monte Carmelo. 
Neste altar ostentando o menino Jesus e o escapulário símbolo da proteção está a Mãe de Jesus, solícita para acolher e interceder por todos os Cajuruenses e por aqueles que se apaixonam por essa terra, sejam cristãos católicos e não católicos, de outras terras, de outras denominações religiosas e até aos que se declaram ateus.
Declara em seu livro, o saudoso professor Oswaldo Diomar que “Não se pode admirar, respeitar e amar verdadeiramente uma Cidade, sem antes conhecer sua história, principalmente a das pessoas que a construíram ao longo do tempo”.
A história de Carmo do Cajuru continua a ser escrita com o trabalho e a vida daqueles que aqui tem suas raízes, mas há uma Carmo do Cajuru nova, de pessoas que aqui veem trabalhar e fazer história em meio à gente acolhedora e boa que aqui vive.
Em Carmo do Cajuru a vida flui e nos orgulhamos de aqui viver, de rezar e celebrar em ação de graças pelos sessenta e nove anos da Cidade Manjedoura, dos belos presépios, onde o Cristo nos abençoa sempre.

Padre Ailson de Oliveira Ceccotti
27/12/2017

 

 

 

   

 

 

 

A vida humana desenvolve num constante embate, onde desejo e realidade são constantemente confrontados. Quando a pessoa se deixa guiar pelo desejo puro, esbarra no descolamento da realidade. Satisfaz o gozo imediato da pulsão que a todo instante cobra a resolução do desejado.

 A mentalidade que agrada a muitos é que não importa o preço, importa é satisfazer o desejo. Na base está o secularismo instigando a pessoa a aproveitar o momento, porque a vida é passageira, desconsiderando os sofrimentos daí decorrentes.

Numa mesma vertente, se a existência for norteada pelo princípio da realidade pura, descamba-se num ativismo mecanicista, onde a pessoa tudo faz sem dar sentido para o que está sendo feito, falta motivação. A vida fica sem sentido e sem sabor. 

Para uma boa qualidade de vida, urge buscar o equilíbrio entre esses dois princípios. Desejo e realidade estão bem juntos dentro do ser humano. A harmonização desses princípios, associados a outros, possibilitam o equilíbrio mental da pessoa.

Buscar o equilíbrio entre essas duas pulsões é desafio constante onde um não pode ser dissociado do outro, como ensinou o filósofo, “a virtude está no meio”. Se esses princípios forem dissociados, o princípio de morte ganha força.

Encontrar o fiel da balança exige constante movimento de introspecção e o olhar atento daquele que aguarda com paciência o momento oportuno da colheita, onde a realidade e o desejo são harmonizados numa dinâmica que gera vida. Desejo e realidade são facetas de um ser sempre em construção.

 

                      Considerações: Religião, Psicanálise e Carnaval.

 

 

         Celebrada sete domingos antes da Festa da Páscoa, Festa central da Igreja Católica, definida a partir do calendário Gregoriano, está a Festa do Carnaval. Do latim “Carnis levale” significando “retirar a carne”, é celebrado com alegria e irreverência em nosso País. As festividades carnavalescas enaltecem o desejo de saciar a carne, de beber, de comer, de brincar. Em seguida, adentra no espaço do sagrado. A partir da Quarta-feira de Cinzas se dá “o adeus à carne”, iniciando o tempo do espírito, tempo de conversão e penitência.

         A Festa do Carnaval é de origem pagã, mas mantém estreita relação com o Catolicismo que ao longo de sua história soube com maestria acampar muitas festas, inclusive pagãs. O Carnaval acaba ocupando lugar importante, quando não excede seus dias festivos para o tempo da Quaresma.

         Sob o olhar de alguns princípios da Psicanálise fica evidente a batalha travada no interior de cada ser humano, onde o desejo prazeroso de saciar o corpo encontra no mesmo corpo, os apelos do corpo e do espírito cobrando o equilíbrio.

         Dentro da Festa do Carnaval muitos excessos podem acontecer, os princípios de “Eros” e “Thanatos” são postos numa constante dialética, entre o prazer que gera vida, mas que se levado ao extremo, acaba gerando morte.

         O Carnaval em si não é nocivo para quem sabe participar e desafia os pais no cuidado educacional. A alegria espontânea brota do Criador e não precisa de artificialidades. O desafio é propor limites que não atentem contra o corpo e o espírito como força vital. Vale frisar que corpo e espírito estão juntos, a distinção filosófica apenas objetiva ajudar a compreender o todo complexo que é o ser humano.

         Se o desejo for levado ao extremo, a libido é esgotada causando dilaceramento da energia, o que provoca adoecimentos diversos. Na mesma esteira, se a parte espiritual for pontuada com exagero, o ser humano descola da realidade. Em ambos os casos, há o risco da alienação que deixa de enxergar a realidade.

         O Carnaval vivenciado no Brasil há muito perdeu seu lado lúdico, movimenta grandes capitais e cabe ao que vai participar não se deixar instrumentalizar buscando o equilíbrio interno e externo para não incorrer na desarmonia que não gera alegria, mas sofrimentos.

         Carnaval é festa que celebrada com equilíbrio conduz o ser humano para a harmonia do corpo e do espírito. Brincar com respeito e se colocando limites deveria ser o objetivo do carnavalesco consciente e muito mais daquele que é Católico.

 

                                                                           Padre Ailson de Oliveira Ceccotti.

                                                                                              26/02/2017

DESEJO E REALIDADE

                                                                   Amor ao Reino de Deus e à Igreja

 

A Igreja Católica Apostólica Romana em sintonia com o Papa Francisco, celebra o  Ano dedicado ao Laicato. O tema: “Cristãos leigos e leigas, sujeitos na “Igreja em saída” à serviço do Reino. O lema: “Sal da terra e luz do mundo”. Mt 5, 13-13.

Nossa caminhada cristã acontece num dinamismo plural, sob a ação do Espirito Santo. O amor ao Reino de Deus vivenciado plenamente na Igreja Católica deve motivar para o serviço, cuja centralidade não passa pelo Ego Egocêntrico do fiel, mas pela comunhão em Cristo Pastor.

O amadurecimento do leigo (a) não ordenado está no exercício do múnus Real, Sacerdotal e Profético dentro da comunidade de fé e em sintonia como os Ministros Ordenados.

As Instâncias de acolhida de sugestões e críticas na Igreja passam pelos Conselhos Pastorais e para Assuntos Econômicos e pelo Conselho de Leigos na Diocese. A escuta, a avaliação e o discernimento do que é apresentado passa pelo todo que representa a Igreja local decidindo com o Pastor aquilo que convém daquilo que precisa ser melhor avaliado. Importante é entender que uma sugestão, uma crítica pode ser acolhida ou descartada, sempre objetivando o bem pastoral, administrativo e sacramental da Paróquia. Nessas instâncias o importante ao opinar é a abertura de escutar e aceitar caminhos que podem não comtemplar a sugestão dada.

O belo no serviço prestado pelo leigos e leigas não ordenados centra no testemunho vivo de quem segue o Cristo Bom Pastor que continua a surpreender ao se inclinar e lavar os pés dos apóstolos. Grande é aquele que serve com generosidade mesmo em condições desfavoráveis.

O zelo pastoral envolve a todos e descortinam caminhos, onde o discurso do fazer acontecer não deve violentar o que já está acontecendo. A impaciência pode nos impor dissabores que quebram a comunhão. Conscientes da missão cristã e da Boa Semente que devemos lançar, confiamos na ação do Espírito Santo que faz germinar, crescer e frutificar.

O uso dos Meios de Comunicação Social dentro da caminhada da Igreja ganha espaço. Fazemos uso dessas instâncias. Mas urge discernir que o autêntico testemunho diferencie o que é interno do que é externo. Ou seja, há questões que devem ser encaminhadas internamente e outras podem ser trabalhadas fora do âmbito eclesial.

A consciência de pertença a Cristo e a Igreja que amamos passa pelos Conselhos Pastorais e para Assuntos econômicos, neles é que estão consultivamente os espaços de reivindicações.

 Já vivenciando o Ano do Laicato, registro o respeito dos Padres que são enriquecidos nos “Talentos” trabalhados com retidão, junto aos que construtivamente demonstram amor à Igreja, servindo a Cristo na comunidade de fé como promotores da comunhão.           

 

                                                                                                                                                                                      Pe. Ailson de Oliveira Ceccotti.

                                                                                                                                                                                                   08/12/2017

 

                                                            Pastoral Missionária da Diocese de Divinópolis

 

         A Pastoral Missionária é a “Fênix” da Diocese de Divinópolis, sempre renascendo das Cinzas, sob a ação do Espírito Santo. Filha da dinamicidade pastoral passou e ainda passa por muitas transformações. Iniciada como Pastoral Rural Missionária, encaminhada por Dom Cristiano e conduzida por Frei Bernardino, segue até nossos dias.

         O desafio sempre foi a formação e a valorização dos ministérios dos Fiéis Leigos para atuarem como Missionários e Dirigentes de Culto em suas comunidades. A Diocese cresceu vertiginosamente e a necessidade de Missionários na área urbana é realidade sempre nova e exigente. Vale aclarar que a Pastoral Missionária sempre gerou polêmica quanto à sua compreensão, pois atua em áreas específicas da missão e não no sentido clássico do termo.

         Por dois períodos atuei na Pastoral Missionária. Quando estive na Forania de São Bento, onde cuidamos da formação de Missionários de Semana Santa (novos e veteranos), a formação de Ministros da Palavra (novos e veteranos) e a formação de Ministros Extraordinários da Eucaristia. No segundo período, constituímos uma Comissão de Leigos atuantes na Diocese e juntos trilhamos novos rumos para a Pastoral Missionária. Procurando fortalecer o sentido de pertença à Diocese com formações centralizadas e outras voltadas para as Foranias da Diocese. Nesse período, a formação estava centrada nos Missionários de Semana Santa e nos Ministros da Palavra.

         Havia uma clara divisão entre os Missionários da Semana Santa e os Ministros da Palavra, antes chamados de Dirigentes de Culto. A Pastoral Missionária concentrou esforços no sentido de formar e motivar os Missionários da Semana Santa para que atuassem como Ministros da Palavra, e os Ministros da Palavra que se abrissem para os trabalhos missionários durante a Semana Santa. Foram períodos de grandes experiências missionárias onde equipes atuavam fora das Paróquias e algumas celebrando em outras Dioceses. Concentramos os esforços em produzir um Folheto de Celebração da Palavra Diocesano amoldado ás exigências dos documentos da Igreja, no entanto, haviam barreiras diversas que não conseguimos transpor.

Atualmente o Folheto de Missa da Diocese é realidade e surgem perspectivas de um folheto para celebrar a Palavra de Deus produzido na Diocese. Ao contrário do que muita gente pensa, a Celebração da Palavra nas Comunidades é quantitativamente mais volumosa que a celebração de Missas. O ideal seria Celebrações de Missas nas Comunidades, mas a realidade gera estimativas que para cada três Missas celebradas, sete Celebrações da Palavra estão acontecendo.

         Dou testemunho que o mais belo e que nunca deveríamos perder é a valorização dos fiéis leigos como agentes de transformação da realidade Missionária da Diocese de Divinópolis. Protagonistas de uma ação missionária silenciosa e fecunda, pouco reconhecida entre nós.  

 

                                                                                                                                                                   Pe. Ailson de Oliveira Ceccotti.            

                                                                                                                                                                                  14/12/2017

Testemunho de Fé e Esperança

 

Oração

 

         A Oração na esteira da Igreja Cristã Católica é fonte inesgotável de graças e bênçãos e adentra no campo do Mistério, onde a razão silencia para contemplar o Infinito.

         Acampa as expectativas psíquicas do esvaziamento de si e da sadia devoção. Muitos entendem que a oração traz consigo boas energias psíquicas e estão corretos, mas a oração está para além da perspectiva psicológica, pois produz o encontro no silêncio daquele que deseja Deus, que é um constante desvelar. Quando bem assimilada lança para o alto o finito ser que busca o infinito Deus.

         Grande parte da comunidade cristã católica sabe orações formuladas, recitadas pela Igreja viva e presente nas famílias. Precisa dar passos no sentido de extrair dessas orações o sentido profundo que transcende a repetição mecânica de muitos.

         A Oração ganha contornos que cobram um entender para fugir do tédio que ofusca o sentido do “Ora et labora” de São Bento. Não se trata de deixar de lado as fórmulas, mas de abarcar o sentido espiritual oculto nas fórmulas. Enxergar com os olhos da fé exige um itinerário espiritual crescente. Onde da fórmula racional brota o desejo de tocar o coração de Deus, passando pela meditação, até atingir o grau da contemplação do Mistério.

         Outros definem a oração como um esvaziar de si para preencher o vazio com a energia do transcendente. Aqui está uma definição que agrada a muitos, especialmente quem lê textos orientais, no entanto, mais uma vez a oração cristã está além do esvaziar de si, porque navega na esteira do Espírito Santo que já preenche o coração daquele que é seguidor de Cristo e, de forma especial, o Católico, que pauta a vida na vivência dos Sacramentos, na prática da Caridade onde a Eucaristia é a oração central.

         Num grau mais rasteiro, muitos identificam a oração com Ritos, repetições de rubricas, correntes de orações fanáticas que ameaçam com catástrofes, pontuando o medo e não Graça de Deus. Há um pontuar da quantidade em detrimento da qualidade, abrindo caminho para justificar uma injustificável negociata com Deus.

         A Oração na esteira do Catolicismo está para além de toda definição, por entrar na esfera do Mistério Divino que não se deixa definir. De forma simples é o Caminho que coloca o nosso coração humano dentro do Coração Divino.

 

 

Padre Ailson de Oliveira Ceccotti.

05/01/2016

 

 

 

Um Certo Jovem?

 

 

        

Um Certo Jovem ? Certa vez, um jovem aproximou-se de Jesus e lhe perguntou: “Mestre, que devo fazer para ter a vida eterna”? Ainda hoje, esse mesmo questionamento ecoa nos corações humanos, especialmente para os que cultivam uma espiritualidade juvenil. As respostas são dadas no cotidiano de nossa existência. Alguns buscam no hedonismo desenfreado as respostas para a sede de ser, e acabam frustrados. Outros no consumismo e, novamente, bate forte o vazio angustiante. Existem ainda aqueles que enveredam pelos caminhos das drogas e dos vícios em geral, destroem a si e prejudicam os que estão próximos. Descaminhos que conduzem para a morte cultuada em nossa sociedade contemporânea. Na passagem bíblica citada (Mt 19,16), o jovem ainda estava atado aos bens terrenos, enquanto o Divino Mestre convida para os bens eternos, para uma vida nova. Colocar nossa confiança em algo que a traça corrói é dizer não ao projeto Pascal. É dividir-nos internamente. O convite de Jesus é Boa Notícia e deve motivar cada jovem de nossa Comunidade Paroquial a dar uma resposta pessoal, buscando na terra as coisas do alto. O jovem e a jovem que é Igreja Católica deve fazer experiência Pascal escutando a Palavra plenamente vivenciada na Eucaristia. A busca da vida eterna acontece no palco da vida. A opção é prática quando somos ponto de unidade e nunca de divisão. Portanto, o caminho do desprendimento, da misericórdia, da gratuidade, do amor, são os caminhos de Jesus, e digo, com certeza, conduzem para a Felicidade de quem não centra em si, mas está no Caminho...

Qual tem sido a sua resposta?

        

                                                                          

 

            Padre Ailson de Oliveira Ceccotti.                                                                        

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“Vinha do Senhor”

 

 

         Em recente artigo na Revista: “O Mensageiro do Sagrado Coração de Jesus”, do mês de março, 2015, vol. 181, nº 1328, o Papa Francisco, após a conclusão do Sínodo dos Bispos, assim expressa: “Esta é a Vinha do Senhor, a Mãe fecunda e a Mestra solícita que não tem medo de arregaçar as mangas para derramar o azeite e o vinho sobre as feridas dos homens (ver Lc 10,25-37); que não observa a humanidade a partir de um castelo de vidro para julgar e classificar as pessoas. Esta é a Igreja, Una, Santa, Católica, Apostólica e formada por pecadores, necessitados de sua Misericórdia. Esta é a Igreja, a verdadeira Esposa de Cristo”.

         O artigo vai além e chama a atenção conclamando a todos que são Igreja a gestos concretos que distanciam de uma Igreja com mentalidade de Príncipes distantes dos seus. É preocupante que enquanto o Papa Francisco pede posturas que estejam mais próximas do Povo de Deus, na contramão do pedido, ações religiosas dessa mesma Igreja, ao invés de buscar na simplicidade do Mestre, estão mais preocupados em ostentar longas franjas em roupas sacerdotais esplendorosas e em instalar tronos por sobre os presbitérios que evidenciam o olhar de quem do alto, até por sobre o Altar do Senhor, comtempla o território de Missão, enquanto o Senhor convida para descermos do monte e estarmos com os irmãos de caminhada. Certamente o Papa Francisco sabe da importância do belo na Liturgia, mas não é o que está sendo traduzido por muitos dessa Terra de Santa Cruz.

         Nas palavras do Papa mudanças precisam acontecer, urge sair das salas reservadas e estar mais no meio da comunidade, sem exageros. Na formação dos futuros sacerdotes e de nossos irmãos de caminhada nunca é tarde para recordar que somos retirados do meio do Povo, ao povo retornamos para o serviço do Senhor e não para sermos servidos como senhores. Mentalidade que ganha vulto em nossos dias.

         Que vinha do senhor desejamos ser, que fruto está sendo produzido? Sejamos a vinha sonhada pelo Papa Francisco e cuidada pelo Mestre.

Padre Ailson de Oliveira Ceccotti.

20/05/2015

 

 

“Totem”

 

         Sigmund Freud, médico e considerado “Pai da Psicanálise” sofreu e ainda sofre interpretações as mais diversas, algumas marcadamente preconceituosas, especialmente quando envereda pelo caminho do “Radicalmente Outro”, do “Transcendente” e de Deus.

No livro “Totem e Tabu e outros trabalhos” (1913-1914), delineia sua compreensão sobre Totem, a princípio, Divindade cultuada pelos Povos da Floresta, onde a natureza carrega consigo a força vital a ser respeitada.

Numa leitura apurada, transparece nas entrelinhas dos textos, a posição de Freud que precisa ser recuperada, pois quando fala do Sagrado no Totemismo deixa desvelar seu pensamento sobre o Pai do Céu em relação ao Pai da terra.

A preocupação e mola mestra que impulsionava as pesquisas de Freud não era a Religião, centrava seus estudos na Histeria que vitimava e condenava a muitos e muitas ao manicômio desumano de seu tempo.

Freud era filho de pais filiados ao Judaísmo. A sua cuidadora era do Cristianismo e conservava o hábito de passar com o pequeno menino nas Igrejas. Os motivos não eram religiosos, mas por falhas de sua estrutura mental afetada, gestando no garoto uma compreensão religiosa inadequada.

O “Pai da Psicanálise” depois de adulto segue na esteira do ateísmo, sem fechar teoricamente com o Judaísmo de seus pais e nem com outras orientações religiosas. Por vezes conforme atestam seus escritos, fez discursos em sinagogas judaicas de seu tempo, mas a preocupação sempre foi com as pesquisas científicas voltadas para o trato da estrutura mental.

Como médico e pesquisador, mas sem grandes recursos financeiros sofreu ao seu tempo as limitações do sistema vigente. A guerra impunha atitudes aos Judeus duramente perseguidos, vitimando quem discordasse dos ideais arianos de Hitler. Por motivos de segurança, Freud refugia-se com os seus em terras mais seguras, para não acabar num campo de concentração. Apesar de estudado como ateu, não nega o que está resguardado no inconsciente, a concepção de Deus que precisa ser purificada de preconceitos.

A frase escrita na esteira da Psicanálise para uma palestra sobre sexualidade soou provocativa: “Quem se afasta do Totem se afasta da Natureza”. Situada dentro do contexto da obra de Sigmund Freud e aberta a comentários, especialmente para os estudiosos da Psicanálise, pontua a necessidade de leitura dos escritos do pensador, que perfazem cerca de vinte e três livros mais um que funciona como índice analítico. A frase citada necessita de um olhar humilde e aberto para novas aprendizagens, cuja base é a leitura do Livro XIII, da Coleção Imago: “Obras Psicológica Completas de Sigmund Freud”. Ressaltando que apenas foi pontuado o tema “Totem” adentrar para a temática dos “Tabus” exigirá outros escritos.

A Psicanálise dos Círculos de Viena ganhou contornos globalizantes tratando de diversas doenças que afetam a estrutura mental. O cuidado com a histeria abriu caminhos e a cura através da fala trouxe esperanças renovadas para os pacientes outrora abandonados aos banhos frios e choques elétricos.

As obras escritas por Sigmund Freud granjeou adeptos que por sobre as pesquisas do “Pai da Psicanálise” teceram produções teóricas e práticas de cura, dentre eles, a perspectiva do discípulo Carl Jung que dialeticamente distancia e aproxima do mestre, de Lacan e outros pensadores que beberam em Freud. Como médico pesquisador ganhou opositores, especialmente dentro da medicina clássica.

Num tempo marcado por adoecimentos mentais diversos, mesmo a medicina clássica que tem seu lugar conquistado é convidada a uma atitude de abertura para pesquisas que ultrapassam a esfera do orgânico. Acampar recursos no trato da estrutura mental e reconhecer o cuidado em rede e as novas contribuições psicossomáticas de áreas de pesquisa no cuidado com o ser humano é realidade sem retorno.

As contribuições Psicanalíticas ganham campo e respeito, pois tem muito a oferecer, até mesmo para a Igreja Católica que hoje tem um olhar acolhedor e misericordioso, visível na figura do Papa Francisco e pleno em Jesus Cristo.

 

 

                                                        Padre Ailson de Oliveira Ceccotti.

Formado em Psicanálise

             IBRAP

           29/10/2015

 

 

 

 

É comum escutar “que nas mãos da juventude está depositada a esperança de um mundo melhor”. O futuro do País passa pelo testemunho e o labor perseverante de uma juventude consciente que trilha o caminho do bem, transformando a realidade na esperança de um mundo mais humanizado.

                            A Igreja Católica recomenda de forma profética: “Sede Santos como Vosso Pai Celestial é Santo”. Preocupação que conduz a Instituição a disponibilizar conteúdos que possibilitam um posicionar crítico, diante de projetos secularizados, que afastam a juventude de Cristo.

                             Num mundo globalizado, o testemunho de fé só surtirá efeito se houver um pensar global com ações concretas no local de missão. Não estamos mais desconectados, mas interagindo e correndo o mundo através dos muitos recursos da Internet. Em grande parte, os problemas enfrentados pela juventude contemporânea estão associados aos problemas mundiais.

                            Constata-se que os nossos jovens e as nossas jovens estão sendo bombardeados por uma avalanche de informações, de contra valores e apelos para o mundo das facilidades, enquanto a trama da vida acontece no palco da concretude histórica de cada um, e esta desconhece facilidades.

                            Tudo que é para o bem exige perseverança e testemunho. O negativo é aprendido facilmente e não exige nada, por isso, tudo destrói. O valor é deslocado do ser, o supérfluo ganha força em prejuízo do que é necessário para a vida.

                            O preço das supostas facilidades é o desvio crescente de nossos jovens que pactuam com situações que culminam na dilaceração do ser, findando numa cultura de morte e violências que assolam nossas cidades. A negação de Deus deixa um terrível vazio existencial que gera adoecimentos diversos na estrutura mental.

                            Instituições históricas, sejam civis ou religiosas que defendem a fé e princípios éticos, deveriam ser mais valorizadas. No entanto, grupos poderosos orquestram campanhas ideológicas objetivando passar o errado como correto. As forças malignas são tantas que chegam a influenciar pessoas sérias e estas, por vezes, optam pelo caminho das facilidades e não da Educação que forma e transforma a realidade. A escolha passa pelo testemunho que gera vida e nega a cultura de morte.

                            Urge que toda sociedade viabilize esforços em torno da juventude para que possam vencer os desafios das facilidades e de forma crítica dar testemunho de fé num estrondoso “não” para as drogas, “não” para as bebidas em excesso, “não” para a violência e tudo que impede a humanização do ser.

                            Escolher o caminho da vida, buscando sempre as coisas do alto, numa espiritualidade que jorra dos ensinamentos de Cristo, permite gestar uma nova realidade, marcada pelo desejo de felicidade. A Igreja Católica não ensina facilidades, ensina o caminho do testemunho em Cristo. Seguir ou não, depende das opções de cada um.

                                                                           Pe. Ailson de Oliveira Ceccotti.

                                                                                     27/07/2016